sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Folha, hoje

CONTARDO CALLIGARIS

"In vino veritas"


A educação dos gostos pode parir inquietante uniformidade; é o que acontece com o vinho
DUAS SEMANAS atrás, enquanto saboreávamos uma garrafa de Pomerol, um amigo me contou que, durante uma viagem recente, seus anfitriões chineses tinham insistido para que ele experimentasse um vinho da parte da Mongólia que é região autônoma da China. Meu amigo se preparou para o pior, mas, surpresa, o vinho da Mongólia era um cabernet muito parecido com um bom Bordeaux.


Melhor para meu amigo. Mas duvido que a terra da Mongólia seja igual à das colinas bordelesas. Tampouco o cultivo da vinha cabernet é uma tradição mongol. Em compensação, numa pesquisa na internet, encontrei ao menos um viticultor da Mongólia que declara envelhecer seu vinho, durante dois anos, em barris de carvalho importados da França. Esse processo confere ao vinho gosto e buquê específicos, que, nos últimos 20 anos, tornaram-se uma espécie de padrão do vinho da região de Bordeaux. Resultado: o vinho da Mongólia está pronto para satisfazer a maioria dos consumidores americanos, europeus etc., mas nunca saberemos o que teria sido um vinho da Mongólia, se ele tivesse existido. Os viticultores da Mongólia perderam a chance de inventar uma cultura do vinho que lhes seja própria, e nós, a de apreciar um gosto novo, diferente. O mundo perdeu um pouco de sua diversidade possível. "In vino veritas" significa que o vinho solta a língua: quem bebe revela verdades. Lendo "Gosto e Poder", de Jonathan Nossiter (Companhia das Letras; Nossiter é o diretor do filme "Mondovino", de 2004), a expressão ganha outro sentido: a evolução do vinho, nas últimas três décadas, mundo afora, diz verdades incômodas sobre os perigos da globalização, ou seja, sobre um processo que transforma não só os produtos dos quais fruímos mas também o nosso gosto.

Em 1899, Thorstein Veblen previa que, "no futuro", o consumo ostensivo de artigos de luxo não seria suficiente para confirmar o privilégio de classe. O consumidor, ele pensava, deverá se tornar um entendedor, capaz de ostentar seu saber sobre os objetos que ele consome (Veblen listava: roupa, arquitetura, drogas e, é claro, bebida). A necessidade de cultivar a faculdade estética e de conversar sobre o gosto levará os mais ricos a abandonar a vida ociosa para se instruir um pouco -o suficiente para justificar as escolhas e as preferências. Essa transformação prevista por Veblen tem um lado simpático: afinal, mesmo quem não dispuser dos meios para adquirir e usufruir terá acesso ao saber sobre o que seria bom consumir, e esse saber "enobrecerá" o consumidor, promovendo-o socialmente pela educação dos gostos. Problema: a "educação dos gostos" é capaz de parir uma inquietante uniformidade do gosto. A história recente do vinho, mostra Nossiter, é um exemplo disso.

Três tempos:
1) O consumidor "futuro" de Veblen pode aprender tudo sobre "domaines" e safras, mas esse esforço não o dispensa de justificar suas escolhas pelo próprio prazer que seu vinho preferido lhe proporciona. Aqui, ele encontra duas dificuldades. Como descrever e transmitir esse prazer? E como se certificar de que sua preferência não seja singular e arbitrária?
2) Imaginemos que, nesta hora, surja alguém (Robert Parker?) que invente uma linguagem para descrever as qualidades gustativas e olfativas do vinho. Se for uma linguagem barroca e um tanto tola, melhor ainda: seu uso meio hermético confortará o consumidor com a impressão de pertencer a uma "confraria". E imaginemos que o mesmo Parker proponha seu próprio gosto como critério universal de classificação de todos os vinhos. Eis que o consumidor "futuro" dispõe das palavras que ele procurava e de um sistema classificatório que, se ele o aceitar, tornará seu gosto menos questionável e "arbitrário". Claro, são as palavras e o gosto de um outro, mas nada é perfeito, não é?
3) Imaginemos agora que um enólogo amigo de Parker (Michel Rolland?) descubra e comercialize a receita para transformar os vinhos de quase qualquer território (por que não da Mongólia?) de modo que correspondam ao gosto de Parker, que se tornou o gosto de quase todos.

Em suma, a dita educação dos gostos produziu o triunfo de um gosto só (e, é claro, um excelente negócio). A todos, boa leitura e boa meditação sobre o futuro de nosso gosto globalizado. Só uma coisa: nem tudo é ruim na globalização. Por exemplo, sou a favor da aparição de queijos "tipo" taleggio, camembert etc. no meio da cultura autóctone do queijo de minas e do queijo prato. E talvez, sem os barris franceses, o vinho da Mongólia seja intragável. Mas essa é outra história. ccalligari@uol.com.br

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rica Perrone, hoje.

Como chegaram

Faltando 3 rodadas, os favoritos são aclamados por todos: SPFC, pragmatico e experiente, e o Flamengo, irregular e empolgante. A história recente dá total razão ao futebol pragmatico, não ao que empolga. Mas, a história no futebol só serve pra ser desmentida. Logo, não há favoritos.
O Flamengo chegou a esta condição com uma arrancada incrível no final. O SPFC com sua regularidade de sempre. Entre grandes vitórias e grandes derrotas, cada um trilhou seu caminho a sua maneira. E são maneiras bem diferentes….


Tirando o próprio, restam 10 clubes grandes no Brasileirão. Logo, cada um deles fará 20 jogos contra times grandes. 10 em casa, 10 fora, ou clássicos. O restante dos jogos é contra times menores, que não são favoritos contra Fla e SPFC nem em casa, teoricamente.
Destes, o SPFC venceu 7 partidas. O Flamengo venceu 10.


O SPFC tem mais um jogo contra grande pra fazer, que será contra o Botafogo. Poderá vencer 8 dos 20 confrontos. O Flamengo venceu 10 e faz mais 2, podendo chegar a 12 vitórias.
E aí se diferencia o Brasileirão, e também cabe alguma reflexão: Será que é mais interessante que o campeonato seja decidido entre dois clubes que ganharam de todos os pequenos, ou será que seria mais bacana se fosse decidido entre os que ganharam os grandes jogos? Mata-mata? Ou um Brasileiro com 16 clubes? Talvez…


O Flamengo perdeu pontos para times menores em 10 oportunidades. Algumas delas, inacreditaveis, diga-se.
O SPFC, muito mais regular, perdeu pontos para menores em apenas 7 oportunidades.
Por exemplo: O Flamengo não venceu o Barueri e o Avai no campeonato.
Mas, o SPFC não venceu o Flamengo, o Palmeiras e nem o Atlético MG.
Fica a questão: Quem seria, então, o time de melhor rendimento?? Aquele que vence o que tem que vencer, ou aquele que vence o que é mais difícil de vencer?
Discussão pra 5 horas de boteco.


Mas, caso o SPFC seja campeão, eis um baita exemplo do que questiono na “justiça” dos pontos corridos. O campeão pode ser aquele que não venceu sequer 50¨% dos seus grandes jogos, e que não venceu nenhum dos outros 3 favoritos.
Vamos alem: Em disputa contra os 5 outros rivais que disputam o titulo Brasileiro, o SP fez 13 pontos. O Flamengo fez 17.


Porem, em disputa contra times PEQUENOS, e ai excluo Goias, Coritiba, Atletico PR, por exemplo, o Flamengo fez 12 pontos. O SPFC, por sua vez, fez 18.
Fica bastante claro que um joga com o regulamento e o planejamento de vencer os jogos que TEM que vencer, enquanto o outro, irregular, vence os jogos mais dificeis pra chegar onde chegou.


São filosofias, e convenhamos que a do SPFC é muito mais inteligente, apesar de muito mais sem graça a quem assiste.
Dos últimos 15 jogos o Flamengo perdeu 2. Empatou 3. Venceu 10.
Dos mesmos últimos 15, o SPFC perdeu 3, empatou 5 e venceu 7.
Fica claro que o campeão dos pontos corridos não precisa começar o Brasileiro bem, mas sim terminar voando.
Agora é na bola. Faltam 3 rodadas, que em tese se decidem em 2.
Sim, pois na última os dois devem ganhar seus jogos.
Portanto, enquanto o SPFC decide em 2 partidas fora, o Flamengo encara uma em casa e outra fora.
Não há favoritos.
abs,RicaPerrone

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Artigo de Fernando Henrique Cardoso no Estadão do dia 1º de novembro de 2009


A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sem comentários

Crédito: Dida Sampaio, da Agência Estado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A clientela do ensino superior pago - EXCELENTE

A CLIENTELA DO ENSINO SUPERIOR PAGO

MARIA HELENA MICHEL

O século XX foi testemunha de grandes transformações. No mundo dos negócios, o acirramento da globalização dos mercados, a evolução da telecomunicação e informática, o desenvolvimento tecnológico, mudaram a vida das empresas, trazendo o fantasma da concorrência. Neste cenário, ressurge a figura do “cliente”, como entidade soberana, capaz de definir quem fica e quem sai do mercado. Estudos e técnicas são avidamente desenvolvidos e consumidos para aperfeiçoar formas de satisfazer o cliente, ouvi-lo, fidelizá-lo, perceber suas necessidades, antecipá-las, agregar valor aos produtos, surpreendê-lo, conquistá-lo.

Não estão erradas as organizações e o futuro não aponta para realidade diferente. O cliente aprendeu a reconhecer e exigir qualidade nos produtos. Ele não quer apenas qualidade intrínseca; ele quer valor agregado, rapidez, atendimento personalizado, pagamento facilitado, promoções, troca, manutenção etc. Idêntica análise, porém, não pode ser feita quando se trata de instituições de ensino pago, particularmente, as de ensino superior. Grande parte da educação superior em todo o mundo é financiada por mensalidades escolares. No Brasil, cerca de dois terços da população universitária estão nas escolas privadas. Inúmeras vezes, professores da rede privada têm se queixado de ser “lembrados” pelos alunos que “eles” são seus clientes, porque sua mensalidade paga os salários dos professores.

O ambiente universitário, porém, merece melhor análise. O aluno, ao assinar um contrato com a instituição, assume uma relação de compromisso e de obrigações.

Isso pode gerar situações de tensão e pressões. Ocorre que, em geral, as “pressões” que os alunos exercem não visam à melhoria da qualidade do ensino, mas, ao atendimento das suas necessidades imediatas, mediocrizando, significativamente, a sua própria formação. Vejamos alguns exemplos: provas (adiar, fazer em grupos, com consulta, substituir por trabalhos), freqüência (faltar à aula, chegar tarde e/ou sair cedo e “ganhar” presença integral), atividades (atrasar entrega de trabalhos, flexibilizar exigências, prazos), entre muitos outros. Porém, urge perguntar: é o aluno o cliente de uma instituição de ensino pago? Cremos que uma resposta afirmativa a essa pergunta, embora tenha grande consenso na comunidade universitária, é fruto de uma análise superficial, equivocada e prejudicial para todos: aluno, professores, instituição.

Inicialmente, as instituições de ensino pago têm objetivos e produtos diferentes das organizações empresariais, chamadas utilitárias (comércio e indústria). Enquanto estas são centradas nos objetivos econômicos, calculistas, as universidades (organizações normativas) se baseiam no envolvimento moral, motivacional de seus membros, objetiva à formação das pessoas e tendem a construir seus próprios objetivos e valores.

Outra questão é a lógica na qual está inserida a satisfação do cliente: atendimento e bem-estar imediato. Ao adquirir um bem, o cliente tem o direito de ser atendido eficientemente, levar o melhor produto, pagar o menor preço, no menor tempo e sem burocracia. Ele não pode perder tempo, nem se desgastar com a compra. Aplicar esta lógica à sala de aula significa que o professor deverá satisfazer o aluno todos os dias: atender às suas reivindicações, seus desejos, resolver seus problemas. E mais: não poderá reprová-lo, se ele tiver pago a mensalidade em dia! Isso significa transferir para o aluno a decisão “do quê” aprender, “como” aprender, “quando”, e, mesmo, “se” ele quer aprender alguma coisa no curso. Talvez, ele fique mais satisfeito, porque as atividades curriculares não são sempre prazerosas. Nas mais das vezes, são pesadas, cansativas, requerem esforço, raciocínio, dedicação, tempo; e, não necessariamente, são do interesse imediato do aluno.

Mas, não se pode confundir “adquirir” conhecimento com “comprar” conhecimento. Vejamos a analogia com a situação de um doente que procura ajuda médica. A pessoa paga a consulta e recebe uma receita e orientações de procedimento. A receita e as orientações são, apenas, parte da solução. A cura dependerá da postura, das providências, da vontade e responsabilidade do paciente em seguir corretamente as instruções. Da mesma forma, a formação profissional do aluno é o resultado do “casamento” entre os recursos que a escola oferece (professores, atividades, equipamentos, conhecimento) e o esforço dele em se transformar (vontade, dedicação, motivação, trabalho).

Para se tornar um profissional disputado pelo mercado de trabalho, o aluno necessita adquirir um conjunto de competências, conhecimento, habilidades, capacidades, consciência e formação política, ética e cidadã. Ele não vai à escola adquirir um produto; o aluno “é” o produto. É “ele” quem precisa ter qualidade, instrução, formação e instrumentalização. As atividades, os professores, os equipamentos e o conhecimento são instrumentos de construção desse produto.

Formação acadêmica e profissional não são produtos tangíveis; não podem ser “vendidos” como cereais em prateleiras de supermercados. É tarefa nobre; processos longos, internalizados, numa relação professor/aluno, nem sempre leve e fácil. Não traz satisfação imediata, mas, é fundamental para o seu crescimento e formação. O objetivo da universidade é formar o melhor profissional para ocupar a melhor posição no mercado de trabalho. Seu ”cliente” não é, portanto, o aluno, é o “mercado de trabalho”. Este, sim, tem que ficar satisfeito com a sua aquisição. E não se pode perder de vista que o mercado está cada dia mais exigente. Por isso, há que se esclarecer o “aparente” paradoxo: deve a universidade oferecer satisfação imediata ou proporcionar formação integral aos seus alunos? Estes são clientes ou matéria-prima em transformação? Devemos nos aprofundar nessa discussão, envolvendo, inclusive, o aluno, pois, não se pode negar o risco real que há de um cliente insatisfeito se recusar a pagar pelo bem adquirido. Em tempos pouco remotos, as universidades selecionavam os alunos que queriam ter em seus quadros. Atualmente, o ensino universitário brasileiro vive preocupantes sinais de ociosidade de vagas e inadimplência. O aluno, hoje, escolhe em qual universidade vai estudar; e o mercado a universidade que vai formar seus profissionais. À medida que o mercado rejeitar um profissional, rejeitada será a Instituição de ensino que o formou, assim como, rejeitados serão os professores responsáveis pela formação desse profissional.

Fonte: Jornal Estado de Minas, de 13/11/2003.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Da série: Soluções práticas para pequenos probleminhas que assolam o ser humano

Do site: Deutsche Welle Brasil

O número de estupros na África do Sul é tão alto que a sul-africana Sonette Ehlers desenvolveu um mecanismo de defesa para inibir a ação dos agressores: uma camisinha feminina especial chamada Rape-aXe.
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Ehlers trabalha há anos com vítimas de abuso sexual. Certo dia, ouviu de uma dessas mulheres uma frase que não lhe saiu mais da cabeça: "Eu queria ter dentes lá embaixo".
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Uma vagina que morde é uma ideia que sempre aterrorizou os homens. Bastou uma apresentação pública da invenção para reduzir a zero o número de estupros numa cidade.
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"O diretor de polícia me disse: 'Sonette, depois da sua apresentação, passamos três meses sem registrar um estupro sequer. Os homens ficaram com medo de que você tivesse deixado algumas dessas camisinhas por aqui'", conta ela.
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O medo dos homens tem fundamento. A possibilidade de cometer o estupro ainda existe, mas as consequências para o agressor são devastadoras. Na hora em que ele tentar tirar o pênis de dentro da vagina, centenas de farpas perfuram a pele.
Duvidou ? Leia tudo AQUI

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quem Será?


A foto acima foi tirada há alguns dias atrás, em Beverly Hills. Alguém se arriscaria a dizer quem é o portador de tão fartos e eretos seios? Heim? Britney Spears? Jessica Simpson?

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Acertaram! Trata-se de nada mais nada menos do que David Crosby, o lendário membro da Crosby Stills Nash & Young. Será que o uso de estupefacientes modifica não só o cerébro como também o corpo da pessoa?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Projetos que não viraram leis (ainda bem...)

Do Site Migalhas:

PLs que não viraram lei - O Brasil agradece

Quando o assunto é PL encontramos proposições que, como diz o dito popular, "não estão no gibi", embora fossem os gibis locais bem adequados a esses projetos, levando-se em consideração a comicidade das propostas.

Não há assunto que se safe da mira dos legisladores : animais, comidas, trânsito, religião, carnaval. A folia está formada.

Em novembro de 2008, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara rejeitou o PL 3.418/08 (clique aqui), do dep. Daniel Almeida, que pretendia fixar o feriado de Carnaval, em todo o país, na última terça-feira do mês de fevereiro. Esquece-se o deputado que a data do Carnaval está associada à da Quaresma, ou seja...

Mas mudando de "pato para ganso", ou melhor, de carnaval para folclore, encontramos na Câmara dois PLs dedicados a uma figurinha folclórica muito conhecida pelos brasileiros : o Saci-pererê. Pelas propostas de Angela Guadagnin (clique aqui) e Aldo Rebelo (clique aqui) seria estabelecida a data de 31 de outubro como o "Dia do Saci". O objetivo era resgatar as lendas do folclore.

Mas não seria esta a intenção do já existente "Dia do Folclore", comemorado em 22 de agosto ?

A vez da bicharada

O subtítulo é bem claro. Estamos falando de bichos e não de gente. É bom esclarecer, porque o deputado Pastor Reinaldo gosta de cada coisa no seu devido lugar. Pelo menos é o que parece com a proposição do PL 4197/2004 (clique aqui). A proposta proíbe o uso de nomes próprios, prenomes ou sobrenomes, comuns à pessoa humana, em animais domésticos, silvestres ou exóticos. O autor do projeto acredita que encontros entre animais e pessoas que compartilham o mesmo nome são desgastantes e trazem constrangimento e prejuízos psicológicos. Ao animal ou ao homem ? Fica a dúvida.

Fora do cenário Federal, o mundo animal também é tema de PL. O dep. estadual Antonio Pedregal propôs na ALERJ a instituição do "Dia Estadual do Cachorro, o melhor amigo do homem" (clique aqui). Já no Estado vizinho, MG, a preocupação é com os latidos dos quadrúpedes. Por lá foi apresentado a lei do silêncio para os cães após às 22h.

Na Assembleia Legislativa do RN o papo é outro, quer dizer, o bicho é outro. Um PL de José Adécio, de olho na nutrição da garotada, obriga as escolas estaduais a servir carne de bode na merenda. O autor e criador de cabras garante que é um tipo de carne nutritiva e propícia para crianças. O segundo passo do dep. era propor a mesma receita para os policiais militares.

"Manja che te fa bene"

A ex-vereadora paulistana Myryam Athie apresentou na Câmara Municipal uma proposta para oficializar a pizza como prato típico paulistano (clique aqui). O número de votos favorável ao projeto foi grande, mesmo assim não foi aprovado.

No interior do Estado, em Itapetininga, também havia um vereador preocupado com os pratos típicos da cidade. Hiram Júnior apresentou um PL instituindo o "bolinho de frango" como patrimônio cultural. O vereador diz que o bolinho foi criado na cidade e hoje é feito em vários outros Estados. Seus colegas classificaram o projeto como "muito oportuno".

Em âmbito Federal, relativo a produtos alimentícios, o dep. Aldo Rebelo apresentou para apreciação da Câmara o PL 4679/2001 (clique aqui), dispondo sobre a obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca refinada, de farinha de raspa de mandioca ou de fécula de mandioca à farinha de trigo. Neste caso, continuaria a farinha de trigo, ser de trigo ?

Sai da frente

Um PL do senador Mão Santa já defendeu uma animalesca mudança na lei de trânsito. Ele queria a dispensa da exigência de documentação para os motoqueiros. Ele argumenta que "moto é como cavalo".

Já a dep. Federal Perpétua Almeida apresentou, em 2006, o PL 7.233, (clique aqui) que propôs ao pedestre dar "sinal de braço" quando for atravessar a rua em local sem faixa de pedestre ou semáforo. Mas não confunda, o sinal é de "braço", não de "dedo", pois se levantar o dedo do meio ou fizer qualquer outro gesto obsceno no trânsito você pode ser multado. É o que propõe o PL 87/2006 (clique aqui) do senador Valdir Raupp, que prevê multa para quem praticar gesto obsceno ao volante.

Devoção

Deputados como o Pastor Valdeci Paiva e o Pastor Reinaldo propuseram PLs com a temática da religião. O PL 2.518/2000 (clique aqui), do Pastor Valdeci, determinava a inclusão da expressão "Deus seja louvado" nos documentos : RG, CPF, carteira de motorista, certidão de nascimento e casamento, carteira de trabalho, entre outros. Já o Pastor Reinaldo, no PL 2327/2003 (clique aqui), queria tornar obrigatória a presença de um exemplar da Bíblia Sagrada em todas as salas de aula no Território Nacional.

Acabou ?

As propostas acima não representam nem o início das pérolas legislativas espalhadas nas câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Só para citar mais alguns PLs, existe proposta para distribuição gratuita de Viagra para os impotentes; para instituir o "Dia do Fã de Séries de TV e Cinema"; para obrigar presidiários, condenados a mais de 30 anos, a doar um dos órgãos duplos - pulmão, córnea ou rim -(clique aqui), entre outros, muitos outros.

Dada a criatividade de nossos legisladores e o teor das propostas apresentadas só nos resta uma opção : ajoelhar e rezar.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A globalização da censura.

Yhe New York Times
16/09/2009


Anne Applebaum


Item um: Quando aparecer nos próximos meses, folheie cuidadosamente o novo livro da Yale University Press, "The Cartoons That Shook the World" (Os Cartuns que Abalaram o Mundo). É um relato acadêmico da controvérsia que cercou a publicação de 12 cartuns com o profeta Maomé por um jornal dinamarquês em 2005. A autora, Jytte Klausen, argumenta, entre outras coisas, que a controvérsia foi manipulada por imames dinamarqueses que mostraram aos seus seguidores imagens sexualmente ofensivas e falsas de Maomé junto com as verdadeiras, que não eram inerentemente ofensivas. Ela consultou-se com vários acadêmicos muçulmanos que concordaram. Ainda assim, os desenhos não foram impressos no livro.



O relato acadêmico da controvérsia que cercou a publicação dos cartuns de Maomé por um jornal dinamarquês não considera as imagens ofensivas. Mesmo assim, elas não foram reimpressas no livro

Item dois: Pegue uma cópia da edição americana da revista GQ de setembro. Lá dentro, enterrado, você encontrará um artigo chamado "O lado negro de Vladimir Putin no poder", de Scott Anderson. O artigo, baseado em extensa investigação, argumenta que os serviços de segurança russos ajudaram a criar uma série de explosões em Moscou em 2000 que foram atribuídas a terroristas tchetchenos na época. Leia-o cuidadosamente, pois você não vai encontrar este artigo na edição russa da GQ. Até este momento, você tampouco encontrará o artigo no site da GQ. A Conde Nast, empresa proprietária da GQ, ordenou que todas suas revistas e afiliadas no mundo evitassem mencionar ou promover o artigo.Item três: Se o seu conhecimento de caracteres chineses permitir, digite a palavra Tiananmen no Google.cn. Informantes confiáveis (já que não sei chinês) me dizem que sua pesquisa não vai resultar em quase nenhuma informação sobre o assunto, tampouco sobre Taiwan, Tibete ou democracia. Não é um acidente: em 2006, o Google concordou com uma pequena dose de censura na China, em troca da possibilidade de operar no país.Esses três incidentes não são idênticos. A editora de Yale recusou-se a imprimir os cartuns porque a universidade teme violência em seu campus como retaliação. A Conde Nast recusou-se a promover o artigo sobre o serviço secreto russo porque temeu perder anunciantes russos. A Google impede que seus usuários façam uma busca sobre Tiananmen e outros assuntos tabu porque a empresa quer competir por uma fatia do gigantesco mercado chinês com os motores de busca chineses. As três empresas exibem graus variados de remorso, desde a Conde Nast (nenhum) até Yale (muito) e a Google (ambivalente: o fundador Sergey Brin inicialmente argumentou que a empresa ao menos traria alguma informação para a China, mesmo que incompleta).


Ainda assim, as três histórias levam a uma conclusão: de diferentes formas, o governo russo, o governo chinês e os anônimos terroristas islâmicos agora são capazes de colocar controles de fato sobre empresas americanas - algo que teria sido impensável há uma década. Em um mundo que parece mais perigoso e menos lucrativo do que no passado, a ganância ou o medo se provaram mais fortes do que o compromisso dessas empresas com a liberdade de expressão.Ao cederem à pressão, não tornaram o mundo um lugar mais seguro para eles ou qualquer outro. A submissão da Google à censura chinesa em 2006 não impediu o governo chinês de continuar a perseguir a empresa, alegadamente por distribuir pornografia. Pelo contrário, talvez tenha estimulado a China a tentar forçar recentemente empresas a colocarem filtros em todos os computadores vendidos no país.

Pela mesma moeda, a omissão da Conde Nast apenas vai estimular empresas russas - muitas das quais são de fato estatais - a exercerem pressão sobre seus parceiros no Ocidente, tornando mais difícil para outros publicarem material controverso sobre a Rússia no futuro. E o fato da editora de Yale, uma das mais inovadoras do país, não publicar os cartuns dinamarqueses, apenas torna mais difícil para outros publicarem-nos. (Declaração de interesse: estou editando uma antologia para a editora e há muito admiro seu compromisso de abrir os arquivos soviéticos.).

De fato, cada vez que uma empresa americana cede à pressão iliberal, o ambiente piora para todo mundo. Cada alteração feita para aplacar a censura de um grupo ou governo torna esse grupo ou governo mais forte. O que parece um pequeno lapso de integridade pode ficar bem maior no futuro. Todas essas empresas estão tornando mais difícil para os outros continuarem a falar e a publicar livremente em torno do mundo.

Não há lei ou édito que possa forçar essas empresas, ou qualquer empresa americana, a cumprirem os princípios de liberdade de imprensa no exterior. Mas ao menos é possível embaraçá-las em casa. Por isso esta coluna.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Perfeito !

LUIZ FELIPE PONDÉ

Um relatório para a Academia


Cálculos para garantia do emprego ocupam o tempo da classe acadêmica
CLÓVIS ROSSI pergunta em sua coluna do dia 8 de setembro, página A2, se no Brasil vivemos algo como o que acontece na vida universitária da Espanha hoje: desinteresse dos alunos e asfixia burocrática dos professores. Sim, há semelhanças.


Nos anos 50, o filósofo norte-americano Russel Kirk descrevia um fenômeno interessante nas universidades americanas.A partir do momento em que a vida acadêmica se tornou objetivo da "classe média", gente sem posses, a vida universitária entrou em agonia porque a proletarização dos acadêmicos se tornou inevitável.Dar aula numa universidade passou a ter algum significado de ascensão social. A partir de então o carreirismo necessariamente assolaria a academia, assim como assola qualquer emprego.

Cálculos estratégicos para garantia do emprego passaram a ocupar o tempo da classe acadêmica. E muita gente que vai dar aulas na universidade não é tão brilhante assim ou tão interessada em conhecimento.O cálculo estratégico hoje passa pelo número de alunos que implica uma redução ou não de aulas e orientações de teses.

Ou mesmo nas públicas, onde você está mais protegido da proletarização imediata, uma verba maior ou menor para seu projeto e mais ou menos discípulos causarão impacto na renda final e na imagem pública.Daí o desenvolvimento em nós de um espírito selvagem: o corporativismo em detrimento do ensino ou o ethos de gangues em meio à retórica da qualidade.Muitas pessoas (alunos e professores) buscam a universidade não para "conhecer" o mundo, mas sim "para transformá-lo" ou ascender socialmente.

E aqui, revolucionários ("criando o mundo que eles acham melhor") e burgueses (interessados em aprender informática para "melhorarem de vida") se dão as mãos.Este pode ser mais individualista do que o outro, mas ambos fazem da universidade uma tenda de utilidades.Para mim não faz muita diferença, para a banalização da universidade, se você quer formar gestores de negócios ou gestores de favelas. Nenhum dos dois está interessado em "conhecer" o mundo, mas sim "transformá-lo".

É claro que nos gestores de favelas o espírito selvagem pode funcionar tão bem quanto entre os gestores de negócios. A obrigação da universidade em produzir "conhecimento de impacto social" é tão instrumental quanto produzir especialistas na última versão do Windows.

O utilitarismo quase sempre ama a mediocridade intelectual. Falemos a verdade: a mediocridade funciona.Ela gera lealdades, produz resultados em massa, convive bem com a estatística, evita grandes ideias. Enfim, caminha bem entre pessoas acuadas pela demanda de sobreviver.

A instrumentalização é quase sempre outro nome para utilitarismo. Isso não quer dizer que devamos excluir da universidade as almas que querem ser gestores de negócios ou gestores de favelas -elas é que excluem todo o resto.

Precisamos dos dois tipos de almas, e cá entre nós, acho que os gestores de favelas são moralmente mais perigosos do que os gestores de negócios. Como todos nós, ambos irão para o inferno, a diferença é que os gestores de favelas acham que não.E a asfixia burocrática? Ahhh, a asfixia burocrática! Esta contamina tudo e em nome da democratização da produção e da produtividade da produção.

A burocracia na universidade nasce, como toda burocracia, da necessidade de organização, controle, avaliação.

Não é um sintoma externo a busca de aperfeiçoamento do sistema, é parte intrínseca ao sistema. A pressão pela produtividade proletariza tanto quanto a pressão pela carreira.Soa absurdo, caro leitor? Quer mais?

Em nome da transparência da produção, atolamos esses indivíduos de classe média na burocracia da transparência e do acesso à produção universitária.Enfim, a "produção" asfixia a universidade em nome de uma "universidade mais produtiva, democrática e transparente em sua produtividade". Estamos sim falando da passagem da universidade a banal categoria de indústria de conhecimento aplicado, e sob as palmas bobas de quem quer "fazer o mundo melhor". Tudo bem que queira, mas reconheça sua participação na comédia.

Kafka, em seu conto "Um Relatório para a Academia", já colocava um ex-macaco, recém-homem, fazendo um relatório para os acadêmicos.Ali ele já suspeitava que a academia continha algo de circo ou show de variedades. Hoje sabemos que isto já aconteceu.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Santa Casa do Rio é condenada por cremar corpo sem autorização

A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro deve pagar indenização por danos morais e materiais por cremar um corpo de um homem sem autorização dos familiares. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou tentativa da defesa de reavaliar a condenação imposta pelo Tribunal de Justiça do estado no valor de 250 salários mínimos para cônjuge e filho do falecido.
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O corpo foi sepultado em março de 1995, no cemitério do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, em jazigo alugado por três anos. Em setembro de 1998, sob alegação de descumprimento contratual, a Santa Casa, responsável pela manutenção do cemitério, ordenou a exumação e consequente cremação do corpo. Os familiares ingressaram na Justiça, com o argumento de não ter havido autorização para o ato. Eles teriam sido surpreendidos com outro cadáver quando da exumação do corpo.
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A Santa Casa alegou ao STJ que a condenação ocorreu fora dos limites da lide, em razão de a causa de pedir ter sido modificada durante o curso do processo. O juiz deveria estar vinculado estritamente ao primeiro pedido, que era de desaparecimento do corpo, e não há um segundo, formulado posteriormente e ligado à cremação.
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Segundo o ministro Luis Felipe Salomão, a causa de pedir, “desaparecimento de corpo”, é mais ampla que o fato superveniente que deu lastro à condenação. “Em realidade a cremação foi a maneira pela qual a ré desapareceu com o corpo, o que reforça os fatos narrados na inicial, não se podendo daí dizer que houve julgamento fora dos limites da lide”, alegou. A decisão foi seguida pela unanimidade dos ministros da Quarta Turma.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Separados no nascimento

John Deacon, ex-baixista do Queen, e



Dorival Jr., atual técnico do Vasco da Gama


domingo, 6 de setembro de 2009

Monstrinhos do nosso tempo - Neil Peart

"O" Baterista

Qual a maior torcida ? A do Inter, é claro.

Por Roberto Siegmann Vice-presidente de Seviços Especializados do Internacional de Porto Alegre

No Rio Grande do Sul, há uma enorme paixão pelo futebol e pelos dois grandes clubes que, praticamente, dividem a população. Aqui, como não ocorre na maior parte das unidades da federação, não há o segundo time. Não é necessário, pois temos representantes disputando os principais campeonatos nacionais, continentais e mundiais. O nosso Inter, em especial, sempre esteve disputando campeonatos na primeira divisão do futebol brasileiro. Somos reconhecidos como exemplo na administração, no trato do futebol amador e profissional e no cuidado com o nosso patrimônio. Não é necessário relembrar que o Beira-Rio foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2.014. Mas, valendo-se da disputa entre as duas agremiações de maior renome, algumas empresas, de quando em quando, divulgam pesquisas e enquetes para saber qual é a maior torcida.
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Cuidado! Oportunisticamente algumas delas usam da disputa para instar a participação que gera receita. Exemplo disso são as ligações telefônicas que levam recursos financeiros para as operadoras. Outras, de ditas revistas especializadas, vendem a participação na pesquisa. Como todo o negócio, se não há interesse, não há resultado positivo. Não há critério científico e prévios para os resultados. Tanto é assim que o "vale tudo" permite a um único torcedor ligar ou se manifestar repetidas vezes com o seu voto. Em resumo, se tivermos dinheiro sobrando, em nome da paixão, para vencer a pretensa disputa ligamos centenas de vezes e cada ligação é contada como um voto. Quem ganha é o promotor da pesquisa - centenas de milhares de ligações telefônicas.
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Mas afinal qual a maior torcida do Rio Grande do Sul? É aquela que é a maior do Brasil e das Américas, a do Sport Club Internacional. Afinal, o que é ser torcedor? Para mim, ser torcedor é estar umbilicalmente ligado ao clube do coração, pertencer ao seu quadro associativo, comprar camiseta, pagar mensalidade em dia e ir ao estádio. Somos campeões em todos os quesitos. Temos mais de 100.000 sócios, vendemos mais camisetas que qualquer outro clube no Rio Grande do Sul, lotamos o Beira-Rio e mostramos com todo o vigor como se comemora os principais títulos do mundo e o centenário de existência. Somos um clube sem preconceitos, aberto e democrático. Estamos em todos os locais, fábricas, escritórios, vilas populares, bairros nobres e entre homens e mulheres.
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E aí, ainda valem enquetes? É claro que não. Elas só servem para encher os cofres daqueles que se aproveitam da disputa para artificialmente apresentar um resultado que não tem nada de confiável. Lá vai um desafio: façam uma auditoria no nosso quadro social e verifiquem qual a maior, melhor e mais fiel torcida brasileira

Robinho se machuca... mas como ?

Acabo de ler que o Robinho sofreu uma lesão e está fora do jogo contra o Chile. Fica somente a dúvida de como ele se machucou, uma vez que em jogo é totalmente impossível não é mesmo ? Afinal para se machucar, tem que jogar, coisa que ele não faz.

Assim, pensei em algumas hipóteses:

a) Robinho machucou-se ao descer do ônibus;
b) Robinho torceu o tornozelo ao entrar no elevador do Hotel;
c) Robinho caiu no banheiro;
d) Robinho escorregou no restaurante e caiu em cima da mesa de jantar;
e) Robinho foi correr da bola e enroscou-se nas próprias pedaladas.

Nada mais me ocorre...